segunda-feira, 20 de março de 2017

Despertar


Ela o abraça forte, e chora. 

Ela -  Eu estou chorando, mas não é por você, é por mim.
Ele - Você está triste?
Ela - Não, eu estou renascendo.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Prelúdio

Um dia vou te fazer poesia, 
e vou falar dos seus olhos bonitos,

o vento batendo sobre nós, 
nossos corpos dançantes na avenida.

Começa a chover,
e ninguém tem guarda-chuva,
nem medo.

Somos a noite,
os pés tocam a areia, 
livres como o vento,
e seus olhos de mar encharcam as estrelas.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

margem

Eu quero pegar na tua mão,
quero fugir pro mar.

Ficar à margem do vento
que me semeia
e me destrói.

Quero pegar na tua mão,
esquecer
e lembrar
que tu borda-me de amor,
mas minhas ondas não te desbordam.

Tu fazes de mim chão 
e rio
que brota a tua própria margem o amor.

Tu tens asa
sê vôo,
mas não me desconheças.

Eu quero pegar nas tuas mãos de deserto,
que me ressecam,
quero fugir,
ser mar.








quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Cinco minutos (ou quase)

    Começou e eu estou usando um de seus experimentos. 5 minutos de uma tarde, de um dia. 24 horas. Daqueles nossos meses.
    Choveu e eu nem percebi, quando comprei guarda-chuva era tarde demais. Amarelo. Que nem o da série que eu tanto te falei.
    As ondas quebravam em nós e eu já não entendia mais nada, eu tinha medo, mas me deixava seguir por onde a maré nos levava, mesmo que meus pés não tocassem o chão. Era amor? Não sei, nunca se sabe explicar. Mas era bom.
    Aí eu fui embora, e choveram dias inteiros em mim, e meu guarda-chuva estava quebrado. Até que veio o sol, mas ainda chovia, e eu passei a entender a chuva em mim, e aí eu me achei. Eu acho. A gente nunca sabe explicar também.
    Os cinco minutos já estouraram, mas eu ainda tenho o dia inteiro. Quase. 
    Então me vinha um vazio, e eu transbordava em mim e era bom. Eu oscilo, como no ciclo complexo da vida.
    Sou mar, e não quero desconhecer suas ondas. Não quero mergulhar em teu mar e fingir que não me afogo em suas marés. Não quero ter que jogar suas coisas fora para te esquecer, porque eu não quero esquecer, e eu não quero ter que fugir do seu olhar, não quero fingir que não quero um abraço seu. 
    Quero o tempo em nós, o vento soprando o que a chuva deixou. Não quero mais ir. Quero você aqui de vez em quando, amigo, mesmo que nosso amor seja só uma lembrança, ainda assim serei feliz. Amor que é amor nunca morre, adormece. O meu está aqui dentro dormindo tranquilo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Tu, maré

A caneta que eu escrevo 
percorre o papel,
e nele meu sentir descansa.

Guardo em mim o que escreves,
mesmo que os teus versos não sejam meus.

Amor,
dor,
que é vento,
e balança o mar que nos engole.

Tu, caos,
Eu, cais, 
num fim de tarde que chega 
e nos afaga.

As ondas de teu olhar tormentam as minhas,
e teus braços quentes levam o frio pelo meu corpo,
que escorre os restos de tua maré.

Tu és a tarde que finda,
é manhã que chove,
é noite que cai sobre meus olhos.







sábado, 11 de fevereiro de 2017

A chuva

A menina caminha,
deixa-se ir por onde levam seus passos.

Percorre a lembrança do último abraço,
e chove. 

Ela quer voltar,
mas a ressaca invade seus olhos,
e o vento a impede de nadar contra a maré que a sufoca.

Faz silêncio,
mas ela dança.

Olha para o céu,
as gotas geladas da chuva caindo sobre seu corpo quente, 
e ela arde.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Luzes sem noite

Uma menina triste olhava pela janela:
O mundo está cinza.
O vento gelado batia sobre seu rosto,
mas ela não sentia frio,
ela não sentia mais nada.

Era uma menina boba,
olhando uma cidade boba,
repleta de luzes bobas,
com um silêncio bobo que tanto a incomodava.

A brisa suave avançava sobre seus vazios,
e o tempo estava seco,
mas chovia em seus olhos castanhos.

Seus silêncios gritavam pra dentro de si,
e ninguém escutava.
Estavam todos dormindo
e ela estava só,
uma menina triste com um vazio no meio da noite.